'71 (2014). Acção. Drama. Thriller. Gary Hook, um jovem soldado britânico, é acidentalmente abandonado pela sua unidade na sequência de uma intervenção a um motim nas ruas de Belfast. Incapaz de distinguir amigo de inimigo, e cada vez mais prudente face aos seus próprios camaradas, o inexperiente recruta é obrigado a sobreviver sozinho, durante a noite, e encontrar o seu caminho de regresso à segurança, através de um ambiente totalmente hostil e mortal. Este filme pode ser visto actualmente em exibição nos cinemas. Julgo que seja um bom filme para quem gostar do género.
quinta-feira, 22 de outubro de 2015
terça-feira, 20 de outubro de 2015
Página-a-página #214
«A beleza é o terror. Tudo o que achamos belo faz-nos estremecer. E o que haverá de mais aterrador e de belo, para almas como as gregas e as nossas, do que perder totalmente o controlo? Livrarmo-nos dos grilhões do ser por instantes, estrilhaçarmos o acidente do nosso eu mortal? Eurípides fala-nos das Ménades: cabeça atirada para trás, garganta para as estrelas, "mais cervinas do que humanas". Ser-se completamente livre! Claro que uma pessoa é perfeitamente capaz de libertar estas paixões de maneiras mais vulgares e menos eficientes. Mas quanta glória em libertá-las de uma rajada só! Cantar, gritar, dançarmos descalços na floresta a meio da noite, tão cientes da nossa mortalidade como um animal selvagem! Estes são mistérios poderosos. O mugir dos bois. Fontes de mel brotando do chão. Se formos suficientemente fortes nas nossas almas podemos rasgar o véu e olhar de frente para essa beleza nua e terrível; deixar que Deus nos consuma, nos devore, nos desmembre os ossos. Para nos cuspir renascidos cá para fora.»
A História Secreta
Donna Tartt
domingo, 18 de outubro de 2015
Divulgando #35
Wwoof é um programa de intercâmbio; Em troca da ajuda de voluntários, os WWOOF anfitriões oferecem alimentação, alojamento e oportunidades de aprender sobre estilos de vida orgânicos. Os voluntários terão a oportunidade de obter experiências em primeira mão em diversas filosofias de agricultura biológica, permacultura, construção ecológica e outras técnicas amigas do ambiente. As organizações WWOOF ligam as pessoas que querem voluntariar-se em fazendas orgânicas ou pequenas propriedades com as pessoas que estão à procura de ajuda voluntária. É uma excelente forma de viajar e conhecer outros países de uma maneira pouco convencional. Dêm uma vista de olhos no link para mais informações.
sexta-feira, 16 de outubro de 2015
Página-a-página #213
«-Porque é que essa vozinha obstinada dentro das nossas cabeças nos atormenta dessa maneira? - disse ele, olhando à volta da mesa. - Não será por nos recordar que estamos vivos, a nossa mortalidade, as nossas almas individuais - a que, ao fim e ao cabo, temos demasiado medo de renunciar e no entanto são o nosso maior motivo de sofrimento? Mas não é muitas vezes a dor também uma forma priveligiada de tomarmos consciência do nosso próprio eu? É uma descoberta terrivel a que fazemos em crianças ao verificarmos que somos uma parte separada do resto do mundo, que nada nem ninguém dói juntamente com a nossa boca escaldada ou joelhos esfolados, que as nossas dores e sofrimentos são só nossos. Mais terrível ainda é constatar, à medida que envelhecemos, que ninguém, por mais querido que nos seja, poderá alguma vez compreender-nos verdadeiramente.»
A História Secreta
Donna Tartt
quarta-feira, 14 de outubro de 2015
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Página-a-página #212
«-Que estúpida fui, Manuel!
-Não é estupidez, Maya, a isso se chama apaixonar-se pelo amor.
-Como?
-O Daniel é alguém que conheces muito mal. Estás é apaixonada pela euforia que ele provoca em ti.
-Esta euforia é a única coisa que me importa, Manuel. Não posso viver sem o Daniel.
-É claro que podes viver sem ele. Este jovem foi a chave para te abrir o coração. Ser viciado no amor não te arruinará a saúde ou a vida, como o crack ou a vodka, mas tens de aprender a distinguir entre o objecto amoroso, nete caso Daniel, e a excitação de ter o coração aberto.
-Repete lá isso, homem, estás a falar como os terapeutas do Oregon.
-Sabes que passei metade da minha vida com o coração fechado a sete chaves, Maya. Agora começo a abrir-me, mas não posso escolher os sentimentos, pela mesma abertura que entra o amor, desliza o medo. O que te quero dizer é que, se és capaz de amar muito, também vais sofrer muito.»
O caderno de Maya
Isabel Allende
sábado, 10 de outubro de 2015
Uma boa história nunca acaba #133
A walk in the woods (2015). Aventura. Drama. Cromédia. Nesta divertida aventura, o célebre escritor de viagens Bill Bryson, em vez de aproveitar para desfrutar a companhia da sua bela e amorosa esposa e da sua grande e feliz família, desafia-se a fazer o Trilho dos Apalaches – 3 540 kms das mais intocadas, espetaculares e acidentadas paisagens da América, que liga a Geórgia ao Maine. A paz e tranquilidade que esperava encontrar não passa, no entanto, de um sonho, desde o momento em que a única pessoa disposta a acompanhá-lo na caminhada é Katz, um amigo afastado e de longa data e um namorador em série, que depois de uma vida a enganar meio mundo vê na viagem uma forma de escapar a pagar algumas dívidas - e ter uma última aventura antes que seja tarde demais. Este é mais um filme para os amantes da aventura. Pessoalmente estava à espera de mais e portanto desiludiu-me um bocadinho mas não deixa de ser uma hora bem passada! Este blog aconselha!
quinta-feira, 8 de outubro de 2015
terça-feira, 6 de outubro de 2015
Página-a-página #211
«Dizem que ao fim de uns meses a viver na rua se acaba definitivamente marginalizado, porque se adquirem traços de indigente, perdemos a identidade e a rede social. No meu caso foi mais rápido, bastaram três semanas para ir ao fundo. Submergi-me com uma pavorosa rapidez nesta dimensão miserável, violenta, sórdida, que existe paralela à vida normal de uma cidade, um mundo de delinquentes e das suas vítimas, de loucos e de toxicodependentes, um mundo se solidariedade ou compaixão, onde se sobrevive pisando os outros. Estava sempre drogada ou à procura de meios para o estar, suja, malcheirosa e desgrenhada, cada vez mais enlouquecida e doente.
(...) Aprendi que os lugares mais seguros eram à vista de todos, mendigando com um copo de papel na rua à entrada de um centro comercial ou de uma igreja, o que disparava o sentido de culpa dos transeuntes. Alguns deixavam cair algumas moedas, mas ninguém falava comigo, a pobreza de hoje é como a lepra de antes, repugna e dá medo.»
O Caderno de Maya
Isabel Allende
domingo, 4 de outubro de 2015
Uma boa história nunca acaba #132
The Martian (2015). Acção. Aventura. Ficção científica. Durante uma missão tripulada a Marte, o astronauta Mark Watney e os seus companheiros são violentamente arrastados por uma tempestade de areia. Devido a este incidente, a missão é abortada e Mark, que todos julgam morto, é deixado para trás. Mas Watney sobreviveu. Encontra-se sozinho e sem saber o que fazer em Marte. Com mantimentos para apenas 50 dias, vai ter de encontrar uma forma de enviar um pedido de socorro à Terra e, simultaneamente, arranjar uma maneira de fazer crescer alimentos que o ajudem a sobreviver o máximo de tempo naquele planeta hostil. Quando, sem que alguém esperasse, o seu apelo é recebido pela NASA, a milhões de quilómetros de distância, cientistas de todo o mundo juntam-se para o tentarem trazer de volta. Quando todos concluem que nada há que possa ser feito, os seus colegas de tripulação decidem desobedecer às ordens e arriscar uma ousada missão de resgate… Baseado no best-seller de Andy Weir esta história reflete sobre o instinto de sobrevivência e generosidade humana. Neste momento em exibição nos cinemas, este blog aconselha!
quinta-feira, 1 de outubro de 2015
Outubro #23
Recolho-me em mim como se voltasse à casa que me viu
nascer. É como sair deste mundo para regressar à vitalidade da própria vida.
Voltar a ser o que já fui sem me lembrar de o ter sido. A inocência da
ignorância. A força do futuro por ser.
Recolho-me em mim como se
voltasse ao calor do ventre da minha mãe. O berço mais profundo da existência.
A casa. O mar. Voltar a ser o primórdio da espécie, rasurando os caminhos
rectos que percorri, que é em tortuosidade que o mundo cresce.
Recolho-me em mim para voltar a ser a potencialidade
do sonho que não se concretizou ainda. É na origem que o sonho ganha raiz e dá
razão à existência. Viver é perder a razão. Será sempre o perder do sonho.
Recolho-me em mim como se negasse o presente que me atormenta. Eu sou passado quando sou verdade, mas vivo cada dia num presente inconsistente. O passado é feito de sonho, o presente segura-se no vazio.
Recolher-me-ei sempre em mim
enquanto não o souber viver.
Alexandra Oliveira Villar
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