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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Página-a-página #11


«- Ainda não te casaste? - perguntei.
- Não compreendo suficientemente as mulheres - respondeu.
- Meu caro Gerald - volvi -, as mulheres foram feitas para serem amadas, não para serem compreendidas.
(...)»
Esfinge sem segredo
Oscar Wilde 

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Página-a-página #8


«(...) Por cada efeito causado, ganhamos um inimigo. Para sermos populares temos de ser medíocres.
- Com as mulheres não é assim - disse a duquesa abanando a cabeça -, e as mulheres governam o mundo. Garanto-te que não conseguimos suportar a mediocridade. Nós as mulheres, como diz alguém, amamos com os ouvidos, assim como vocês, os homens, amam com os vossos olhos, se é que alguma vez chegam a amar.
-Parece-me que nunca fazemos outra coisa - murmurou Dorian.
-Ah, então nunca amam verdadeiramente, Mr. Gray - respondeu a duquesa, com uma tristeza fingida.
-Minha querida Gladys! - exclamou Lord Henry. - Como te atreves a dizer uma coisa dessas? O romance vive de repetição, e a repetição transforma uma simples inclinação em arte. Além disso, cada vez que amamos é a única vez que amámos na vida. Um objecto diferente não altera a unicidade da paixão. Apenas a intensifica. Na melhor das hipóteses, só podemos ter na vida uma grande experiência, e o segredo da vida é repetir essa experiência o máximo de vezes possível.
-Mesmo quando a experiência nos magoou, Harry? - perguntou a duquesa, após um momento de silêncio.
-Especialmente quando nos magoou - respondeu Lord Henry.» 

O Retrato de Dorian Gray 
Oscar Wilde
Cap 17

Página-a-página #7


«(...) Todavia, bem vistas as coisas, que lhe importava? A nossa existência era demasiado breve para arcar-mos com o fardo dos erros dos outros aos ombros. Cada homem vivia a sua própria vida e pagava o preço por vivê-la. Só era pena termos de pagar repetidamente por um único erro. Na verdade, tínhamos de pagar eternamente. Nos seus negócios com os homens, o Destino nunca fechava contas.
Há certos momentos, dizem-nos os psicólogos, em que a paixão pelo pecado, ou por aquilo a que o mundo chama pecado, domina de tal modo uma personalidade, que cada fibra do corpo, bem como cada célula do cérebro, parece adquirir instintivamente impulsos temíveis. Em tais momentos, os homens e as mulheres perdem a liberdade de escolha.Avançam para o seu terrível fim como um autómato. É-lhes negada qualquer alternativa, e a sua consciência é aniquilada ou, no caso de subsistir, vive apenas para imbuir de fascínio a rebeldia e de encanto a desobediência. Pois todos os pecados, como os teólogos não se cansam de nos dizer, são pecados de desobediência. Quando aquele espírito celeste, aquela estrela da manhã do mal, se despenhou do céu, foi como rebelde que caiu.»

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
Cap. 16

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Página-a-página #5



« (...) Não tenho culpa que esta terrível tragédia me tivesse impedido de agir acertadamente. Lembro-me de tu uma vez me dizeres que as boas resoluções são minadas por uma fatalidade. Tomamo-las sempre tarde demais. Não há dúvida de que foi o que aconteceu às minhas.
- As boas resoluções são sempre tentativas de interferir com as leis científicas. Provêm da pura vaidade. O seu resultado é absolutamente nulo. Proporciona-nos, uma vez por outra, uma dessas voluptuosas emoções estéreis que produzem um certo encanto nos fracos. É tudo o que podemos dizer em sua defesa. Não passam de cheques que os homens sacam sobre um banco em que não têm conta aberta. »

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
(Cap.8)


Página-a-página #4


« - Ora, as tuas teorias da vida, as tuas teorias do amor, a tua teoria do prazer. Todas as tuas teorias, para falar verdade, Harry.
- O prazer é a única coisa de que vale a pena ter uma teoria - respondeu ele na sua voz lenta e melodiosa. - Mas receio bem que não me possa apropriar dessa teoria. Não é minha, é da Natureza. O prazer é o teste da Natureza, o seu sinal de aprovação. Quando nos sentimos felizes, somos sempre bons, mas quando somos bons nem sempre nos sentimos felizes.
- Ah, mas que significa ser bom? - Exclamou Basil Haallward.
(...)
- Ser bom é estar em harmonia connosco próprios - replicou, descansando os dedos pálidos e finos no pé delicado do cálice. - A discórdia é sermos obrigados a estar em harmonia com os outros. A nossa vida é o que há de mais importante. »

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
(Cap. 6)

terça-feira, 15 de maio de 2012

Página-a-página #3


« - Um rubor é bem sedutor - fez notar Lord Henry.
- Só quando se é nova - respondeu ela - Quando uma velha senhora, como eu, cora, não é nada bom sinal. Ah, Lord Henry, quem me dera que me dissesses como rejuvenescer. 
Lord Henry reflectiu por momentos. 
- Recorda-se de algum pecado terrível que tenha cometido nos seus tempos de juventude, duquesa? - perguntou ele, interpelando-a com o olhar do outro lado da mesa.
- Receio bem que tenham sido bastantes - exclamou ela.
- Então volte a cometê-los - disse ele, num tom sério. - Para recuperar a juventude, baste repetirmos as nossas loucuras.
(...) »

O Retrato de Dorian Gray
Oscar Wilde
(cap. 3)