Mostrar mensagens com a etiqueta Words. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Words. Mostrar todas as mensagens

sábado, 29 de junho de 2019

segunda-feira, 31 de julho de 2017

«A música, transpirada do piano, andava a tocar-nos à volta da pele, como dedos cruzados por dentro, como veias. Nesse tempo eu tinha vinte anos ou menos, ou talvez tivesse uma eternidade, porque nessas idades não se envelhece, cresce-se. E tu eras uma espécie de chapéu, que é aquilo que une a nossa cabeça ao céu. Eras um chapéu de palavras e línguas distantes, e água e vinho, tudo misturado. Os teus dedos faziam-me tropeçar nas palavras, e eu, em vez de seguir em frente com as frases, soluçava, eram sílabas estranhas a que normalmente chamamos gemidos. E havia sempre aquela música que nos unia, uma música que ninguém sabia assobiar, uma harmonia que não era possível tocar no piano. Era assim que nos abraçavamos. Lembro-me de nos sentarmos, juntos, ao por do sol. Tu eras um recorte nocturno, preto, eu era luz. Era desse modo que nos dividiamos e era assim que nos misturavamos. Um dia seremos muito velhos, seremos rugas, e, ao contrário de quando éramos novos, saberemos que vamos morrer. No entanto, isso dar-nos-à uma sensação de eternidade, algo que nunca experimentamos antes, dar-nos-á dias a mais, porque saberemos que temos dias a menos. Continuaremos a ser uma melodia, mesmo depois de tudo se calar.»

Cartas de Gould, recolha da CIA

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

«Força-te, força-te à vontade e violenta-te, alma minha; mais tarde, porém, já não terás tempo para te assumires e respeitares. Porque de uma vida apenas, uma única, dispõe o homem.E se para ti esta já quase se esgotou, nela não soubeste ter por ti respeito, tendo agido como se a tua felicidade fosse a dos outros... Aqueles porém que  não atendem com atenção os impulsos da própria alma são forçosamente infelizes.»
Marco Aurélio

sexta-feira, 21 de agosto de 2015


"Quando eu morrer voltarei para buscar
Os instantes que não vivi junto do mar."
Sophia de Mello Breyner Andersen

sexta-feira, 13 de março de 2015

«Avalia-se a inteligência de um individuo pela quantidade de incertezas que é capaz de suportar.» 
Immanuel Kant

sábado, 15 de novembro de 2014

«Philosophy is written in that great book which ever lies before our eyes - I mean the universe - but we cannot understand it if we do not first learn the language and grasp the symbols, in which it is written. This book is written in mathematical language... without which one wanders in vain through a dark labyrinth.»
                                                                                                                                                                   Galileo Galilei

domingo, 9 de novembro de 2014

«(...) Passamos a vida tão ao de leve, tão preocupados com coisas mundanas, com as contas, com os horários, com o que os outros pensam, com o que é que se tira para o jantar, com aquele berbicacho que temos de resolver até ao dia seguinte, que nos esquecemos do que realmente importa. De quem realmente importa. Só as tragédias nos espicaçam durante uns dias. Nesse período, prometemos a nós próprios que vamos ser pessoas melhores, que vamos preocupar-nos mais com os outros, que vamos telefonar mais vezes aos pais, aos avós, aos amigos, que vamos cumprir aquela promessa há tanto tempo adiada. Prometemos tudo isto, para logo a seguir sermos novamente engolidos pelo quotidiano e atirados a um mundo que não está feito para contemplações. Um mundo que não nos dá tempo para pensar, que não nos dá tempo para tudo o que um dia gostaríamos de fazer ou dizer. E, quando mais de 90% da população luta para sobreviver, é quase um insulto pedir que sejamos mais contemplativos e olhemos para as pequenas coisas poéticas que a vida nos oferece. A poesia não paga as contas, não cumpre os horários, não faz o jantar. Mas então acontece uma tragédia. Um acidente, uma doença, uma injustiça. Um segundo que nos rouba o chão, que nos traz o desejo doloroso de ter tido mais um dia, mais um abraço, mais uma palavra sussurrada ao ouvido. Nessa altura, o que nos resta senão as tais coisas poéticas? Quando não há um corpo, quando não há vida, matéria, substância, persistem as recordações e a culpa por todos os minutos que perdemos a pensar nas contas, nos horários e nos jantares. Porque, por muitas voltas que a vida dê, por muitas obrigações que o mundo nos imponha, são as pessoas que nos dão sentido. Pessoas que merecem ouvir todos os dias o quanto são importantes na nossa vida. Todos os dias. Não apenas nos dias das grandes alegrias. Ou das grandes tragédias.»
Anónimo

segunda-feira, 3 de novembro de 2014


«Um ser finito jamais poderia conceber a ideia de infinito, eterno, imutável, omnipresente, independente, omnipotente, a menos que o ser infinito houvesse depositado tal ideia no ser finito. Logo, Deus existe!» 

René Descartes

quinta-feira, 25 de setembro de 2014


«Quando temos uma bússola e um porto seguro, quando temos a fé e a serenidade, quando temos as pessoas certas do lado esquerdo do peito, quando temos um amor para a vida inteira, quando temos a mão dada incondicionalmente à pessoa que somos, quando temos uma família que é o nosso equilíbrio, quando temos os amigos certos, quando temos a vontade, a energia e o optimismo, quando sabemos a importância de perdoar e agradecer, não precisamos mesmo de mais nada. Se em cada dia renovarmos os mesmos desejos - saúde, amor, fé, trabalho, força, coragem, serenidade, humildade, gratidão e capacidade de perdoar (a nós e aos outros) - não há nada, absolutamente nada, que nos roube aquilo que na vida é mais importante «ter»: paz.»
Anónimo

domingo, 14 de setembro de 2014


«Esqueces os dias em que parece que nada faz sentido. Esqueces as vezes em que as grandes mudanças são precedidas de caos. Esqueces que continuas a iludir-te com os outros e a confiar de peito aberto. Esqueces que a lei do retorno funciona. Sempre. Esqueces que estás longe de quem muito amas, que não tens certezas e que nada é garantido. Esqueces que não sabes, que podes demorar para saber, que o dia ainda vem longe e que nem sempre quem espera alcança. Esqueces que a vida às vezes (muitas vezes) nos troca as voltas, que quando menos esperas te dá nós cegos, que o tempo que tanto pedes te escapa entre os dedos e que (muitas vezes) esse tempo não passa de uma grande armadilha. Esqueces o que mais queres, o que menos queres, o que podes, o que tens, o que mereces, o que te prometem, o que dás. Esqueces tudo, e esqueces serenamente, quando te lembras que o mais importante da vida já tens. É teu. Tão teu. Só teu. E quanto a isso, nem crise, nem medos, nem dúvidas, nem preocupações, nem incertezas, nem distância, nem saudade, nem apertos no peito, nem nada nesta vida te pode tirar. Nada. E é desta certeza inabalável que são feitos os teus dias. Os de hoje. E os de amanhã.»
Anónimo

quarta-feira, 23 de julho de 2014


«A viagem é fatal para o preconceito, a intolerância e a estreiteza de espírito, e muitos dos nossos precisam urgentemente dela por causa dessas coisas. Visões largas, sadias e benevolentes de homens e coisas não se podem adquirir vegetando toda a vida num cantinho da Terra.»
 Innocents Abroad (1869)
Mark Twain

quinta-feira, 17 de julho de 2014

domingo, 27 de abril de 2014



«Ela anotou filosoficamente as datas à medida que iam passando na rotação do ano;... o seu aniversário; e um ou outro dia individualizados por incidentes nos quais participara. Subitamente, ocorreu-lhe uma tarde, enquanto contemplava a sua beleza ao espelho, que para ela havia ainda outra data de maior importância que aquelas; a da sua morte, quando todos estes encantos tivessem desaparecido; um dia que se escondia manhoso e dissimulado entre todos os outros dias do ano, não dando sinal ou som quando ela passava por cima dele anualmente; mas decerto não menos ali presente. Quando era?»


Tess of the d'Urbervilles
Thomas Hardy

terça-feira, 22 de abril de 2014


«Às vezes tem-se a noção de que os nossos grandes momentos estão a acontecer, e outras vezes, eles emergem do passado. Talvez seja a mesma coisa com as pessoas.»

Burning the Days
James Salter

domingo, 20 de abril de 2014


«Gastávamos tanto dinheiro quando éramos capazes e por ele recebíamos tão pouco quanto as pessoas decidiam dar. Éramos quase sempre mais ou menos infelizes, e a maioria dos nossos conhecidos encontrava-se nas mesmas circunstâncias. Havia entre nós o alegre engano de que nos divertíamos constantemente, e uma secreta verdade de que nunca assim era. Tanto quanto sei, o nosso caso era, neste último aspecto, bastante comum.»

Grandes esperanças
Charles Dickens

quarta-feira, 16 de abril de 2014



«Foi para mim um dia memorável, pois exerceu sobre mim grandes mudanças. Mas o mesmo sucede em qualquer vida. Imagine eliminar-lhe um determinado dia e pense no quão diferente o seu curso teria sido. Detenha-se, você que lê isto, e pense por um longo momento nas longas cadeias de ferro ou ouro, de espinhos ou flores, que jamais o teriam aprisionado, não fosse a formação do seu primeiro elo nesse dia memorável.» 


Grandes Esperanças
Charles Dickens

quinta-feira, 27 de março de 2014


"Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?"

Álvaro de Campos

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014


«Quem não sabe prestar contas 
De três milénios
Permanece nas trevas ignorante,
E vive o dia que passa.»

Johann Wolfgang Goethe