terça-feira, 5 de abril de 2016
domingo, 3 de abril de 2016
sábado, 2 de abril de 2016
Abril #29
Hoje não te consigo escrever. O corpo não deixa muito mais do que permanecer no mesmo lugar onde estou. O mundo parou e as palavras esmoreceram. Não te consigo escrever. Mas é Primavera, e deixar o corpo no Inverno é congelar a alma no antigo.
Peguei, então, num retrato teu, gasto pelas minhas mãos nele, e levei-o ao coração. Inspirei toda a força que me resta para permanecer nesta nossa distância. Inspirei, profundamente. E numa folha em branco despejei toda a saudade que acumulei durante estes longos dias de frio. Não em palavras, que já não tas sei dizer. Não em palavras, que já tas mandei, pelo vento, vezes de mais. Desenhei-te. Simplesmente. Traço a traço, como se tocasse no teu rosto. Conheço toda a tua fisionomia, a minha mão já desliza em papel plano desenhando cada curva do teu rosto. Foi o melhor desenho que já vi, olhavas fixamente para mim, como eu queria. E olharás, infinitamente, nesta imagem que és tu e que resultou de mim. Estou feliz.
Alexandra Oliveira Villar
quinta-feira, 24 de março de 2016
sexta-feira, 18 de março de 2016
Divulgando #38
O Dream Careers foi fundada em fevereiro de 2000 e recebeu o seu programa de estágio inaugural na Universidade de Santa Clara. O primeiro programa foi composto por 73 estudantes universitários motivados das principais universidades em todo o país, todos olhando para melhorar a sua experiência académica com um estágio competitivo. Após o primeiro verão, a palavra começou a espalhar-se sobre o impacto de mudança de vida do programa, e a empresa continuou a expandir as suas localizações de programas para fomentar os sonhos de carreira dos estudantes que têm ambições para trabalhar nas principais cidades ao redor do mundo. Até à data, o Dream Career opera em 11 cidades de todo o mundo, tem uma rede de 5.000 empregadores que oferecem experiência de trabalho desafiador, e permitiu que 13.000 estudantes para ir atrás de suas carreiras de sonho.
quarta-feira, 16 de março de 2016
Uma boa história nunca acaba #149
The Illusionist (2006). Drama. Mistério. Romance. No auge do Império Austro-Húngaro, no inicio do século XX, um mundo materialista e ávido por progresso vê surgir em Viena a enigmática figura de Eisenheim, O Ilusionista. Os seus espetáculos são um sucesso. Ele encanta as platéias e até a Família Real reconhece o seu talento. Mas o Príncipe Leopold comparece a uma das suas apresentações para desmascará-lo e o caminho de Eisenheim cruza-se com o da bela Duquesa Sophie Von Teschen, futura noiva de Leopold. Enquanto a paixão secreta de Sophie e Eisenheim floresce, os ciúmes do príncipe chegam ao máximo, e ele convoca o Inspetor Uhl para expor o mágico. Com a musa nos seus braços, o público aos seus pés e Uhl no seu encalço, Eisenheim prepara a última cartada, a maior ilusão, o seu inesquecível “gran finale”. Este é sem dúvida um filme para quem gosta de magia e de uma boa história. Este blog recomenda!
segunda-feira, 14 de março de 2016
Página-a-página #239
«Volta e meia, ponho-me a pensar se serei a única pessoa que passa a vida a cometer o mesmo erro vezes sem conta, ou se isso é uma característica humana. Tenderemos todos para um só pecado capital?
A ser assim, o meu é o ciúme, e é tentador interpretar esta triste coerência como uma questão de carácter. Mas o meu pai, se ainda fosse vivo, sem dúvida que protestaria. Quem é que eu me achava? Hamlet? Alguma da investigação atual na área da psicologia sugere que o carácter desempenha um papel surpreendentemente pequeno no comportamento humano. Pelo contrário, revelado-nos muito sensíveis a alterações triviais nas circunstâncias que nos rodeiam. Nesse aspeto, somos como os cavalos, se bem que menos dotados.
Não estou convencida disso. Com o passar dos anos, cheguei à conclusão de que a maneira como as pessoas reagem a nós tem menos que ver com o que fizemos e mais com quem elas são. É claro que me convém pensar desse modo. Todos aqueles miúdos na escola que foram péssimos para mim? Deviam ser pessoas profundamente infelizes!
Os estudos não sustentam o meu ponto de vista. Haverá sempre mais estudos. Mudaremos de ideias e ver-se-á que afinal eu tinha razão, até mudarmos de novo de ideias e eu voltar a estar errada.»
A ser assim, o meu é o ciúme, e é tentador interpretar esta triste coerência como uma questão de carácter. Mas o meu pai, se ainda fosse vivo, sem dúvida que protestaria. Quem é que eu me achava? Hamlet? Alguma da investigação atual na área da psicologia sugere que o carácter desempenha um papel surpreendentemente pequeno no comportamento humano. Pelo contrário, revelado-nos muito sensíveis a alterações triviais nas circunstâncias que nos rodeiam. Nesse aspeto, somos como os cavalos, se bem que menos dotados.
Não estou convencida disso. Com o passar dos anos, cheguei à conclusão de que a maneira como as pessoas reagem a nós tem menos que ver com o que fizemos e mais com quem elas são. É claro que me convém pensar desse modo. Todos aqueles miúdos na escola que foram péssimos para mim? Deviam ser pessoas profundamente infelizes!
Os estudos não sustentam o meu ponto de vista. Haverá sempre mais estudos. Mudaremos de ideias e ver-se-á que afinal eu tinha razão, até mudarmos de novo de ideias e eu voltar a estar errada.»
Estamos todos completamente fora de nós
Karen Joy Fowler
domingo, 6 de março de 2016
sexta-feira, 4 de março de 2016
Página-a-página #238
«Para onde deve o homem dirigir o seu pensamento para não ser considerado louco?, eis o problema colocado pelo doutor Gomperz e sobre o qual agora Theodor Busbeck tenta reflectir.
Estava ali, não apenas um problema terapêutico, dirigido s loucos, mas um problema moral, básico, que dizia respeito a todos os homens.
Um homem moral em que assuntos deve pensar? E em que assuntos não deve pensar?
Claro que a Igreja já tenta responder a esta pergunta e muito antes dos médicos que vigiam os loucos, já os padres dirigiam a sua vigilância e o seu juízo aos pensamentos, e não apenas às acções humanas.
Não bastava responder moralmente à pergunta: que actos devo fazer? Faltava responder com a mesma consistência à questão: que pensamentos devo ter?
O doutor Gomperz possuía, assim, da loucura - embora não se atrevesse a expressa-lo - uma imagem associada à imoralidade: louco é o que age imoralmente e louco ainda é o que agindo moralmente pensa de modo imoral. A loucura seria, assim, uma pura falta de ética, momentânea, porventura, e portanto curável, ou definitiva, eterna, e portanto: incurável. (...)»
Estava ali, não apenas um problema terapêutico, dirigido s loucos, mas um problema moral, básico, que dizia respeito a todos os homens.
Um homem moral em que assuntos deve pensar? E em que assuntos não deve pensar?
Claro que a Igreja já tenta responder a esta pergunta e muito antes dos médicos que vigiam os loucos, já os padres dirigiam a sua vigilância e o seu juízo aos pensamentos, e não apenas às acções humanas.
Não bastava responder moralmente à pergunta: que actos devo fazer? Faltava responder com a mesma consistência à questão: que pensamentos devo ter?
O doutor Gomperz possuía, assim, da loucura - embora não se atrevesse a expressa-lo - uma imagem associada à imoralidade: louco é o que age imoralmente e louco ainda é o que agindo moralmente pensa de modo imoral. A loucura seria, assim, uma pura falta de ética, momentânea, porventura, e portanto curável, ou definitiva, eterna, e portanto: incurável. (...)»
Jerusalém
Gonçalo M. Tavares
quarta-feira, 2 de março de 2016
terça-feira, 1 de março de 2016
Março #28
Hoje foi o último dia deste pôr-do-sol. Ainda atravessei a ponte para roubar a luz e levá-la comigo. Queria apresentá-la ao mundo, mostrar ao mundo o meu refúgio da alma. Infrutiferamente. Voltei e fui sentar-me a ouvir a música da cidade. Contemplativamente. Beber de cada uma das palavras dos seus poetas. Os poetas são seus, e ela é a própria música. Dela guardo duas palavras que carregarei cada vez que a pronunciar: luz e música.
E a despedida não é nada quando de ti levo uma parte, agora, parte integrante de mim. Talvez um dia volte e, talvez, encontre as mesmas ruelas em que, sob o luar da noite, me perdia. Queira Deus que um dia ainda seja a mesma cidade. Com a mesma luz e com a mesma música.
Levo em mim um pouco da minha cidade. Espalhá-la-ei pelo mundo. E, em breve, o mundo será a minha cidade.
E a despedida não é nada quando de ti levo uma parte, agora, parte integrante de mim. Talvez um dia volte e, talvez, encontre as mesmas ruelas em que, sob o luar da noite, me perdia. Queira Deus que um dia ainda seja a mesma cidade. Com a mesma luz e com a mesma música.
Levo em mim um pouco da minha cidade. Espalhá-la-ei pelo mundo. E, em breve, o mundo será a minha cidade.
Alexandra Oliveira Villar
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