quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Página-a-página #183


«Pela primeira vez, há muito tempo, pensei na minha mãe. Julguei ter compreendido porque é que, no fim de uma vida, arranjara um "noivo", porque é que fingira recomeçar. Também lá, em redor desse asilo onde as vidas se apagavam, a noite era como uma treva melancólica. Tão perto da morte, a minha mãe deve ter-se sentido liberta e pronta a tudo reviver. Ninguém, ninguém tinha o direito de chorar sobre ela. Também eu me sinto pronto a tudo reviver. Como se esta grande cólera me tivesse limpo do mal, esvaziado da esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu abria-me, pela primeira vez, à terna indiferença do Mundo.Por o sentir tão parecido comigo, tão fraternal, senti que fora feliz e que ainda o era. Para que tudo ficasse consumado, para que me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muito público no dia da minha execução, e que os espectadores me recebessem com gritos de ódio.»

O estrangeiro
Albert Camus

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015


Página-a-página #182

«"Você ainda é muito novo e creio que essa vida lhe agradaria." Disse que sim, mas que, no fundo, me era indiferente. Perguntou-me depois se eu não gostava de uma mudança de vida. Respondi que nunca se muda de vida, que em todos os casos todas as vidas se equivaliam e que a minha, aqui, não me desagradava. Mostrou um ar descontente, disse que eu respondia sempre à margem das questões e que não tinha ambição, o que, para os negócios, era desastroso. Voltei para o meu trabalho. Teria preferido não o descontentar, mas não via razão alguma para modificar a minha vida. Pensando bem, não era infeliz. Quando era estudante alimentara muitas ambições desse género. Mas, quando abandonei os estudos, compreendi muito depressa que essas coisas não tinham verdadeira importância.»
O estrangeiro
Albert Camus

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

TOP 5:Livros de actividades


Bom dia a todos, hoje venho mostrar-vos o meu TOP 5 de livros de actividades. Quando eu digo livro de actividades refiro-me a determinados livros cuja função não é a leitura mas sim a escrita ou a parte criativa do leitor. Existem bastantes livros deste género mas eu apenas vou mencionar aqueles que eu mais gosto dentro daqueles que conheço. Então, em primeiro lugar escolhi o Diário de leituras que é um caderno especialmente dedicado às leituras que fazemos. Tem uma parte dedicada ás informações gerais dos livros que estamos a ler e uma parte para comentários, citações, notas, etc. É publicado pela Bertrand Livreiros. O segundo escolhido foi o Wreck this journal, traduzido há bastante pouco tempo para Portugal como Destrua este diário. Este é um livro que apela à nossa parte criativa em que cada página indica uma actividade que é suposto realizarmos para destruirmos o livro. Claro que nem todas as actividades são para ser levadas à letra! A minha edição é publicada pela Penguin e o livro foi criado pela Keri Smith. Também desta autora escolhi o livro How to Be an explorer of the world. É um livro que ainda não tenho mas está agendado para as minhas próximas compras e é também um livro de actividades mas desta vez para reportar pequenos pedaços do mundo. É como que um apelo à observação e registo de todas as coisas do nosso dia-a-dia que de outra forma passariam despercebidas... Devo salientar que esta autora tem mais livros deste género sendo que qualquer um deles poderia ser colocado nesta lista. Em quarto lugar escolhi Listography que é exactamente aquilo que parece: um livro para fazermos listas. Cada página corresponde a uma lista diferente e é uma forma de escrevermos tudo aquilo que faz de nós aquilo que somos: os nossos gostos, interesses, vivências, experiências, etc. Finalmente escolhi o livro Coisas nada aborrecidas para ser muito feliz de Mr. Wonderful, publicado pela editora Marcador. É também um dos próximos livros que tenciono adquirir e é um livro que está cheio de ilustrações e frases que, como diz o título, tem por objectivo deixar-nos felizes.E pronto, era isto que vos queria mostrar hoje. Espero que se interessem por algum deles e já sabem que estão à vontade para deixar um comentário com outros tipos de cadernos ou livros que aqui não mencionei. Até à próxima!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Página-a-página #181


«Vocês pegarão neste livro e aprenderão todas as coisas que aprendi:
Não existe um forma de imortalidade que não assente na amizade e no trabalho esmerado. Todos os segredos do mundo que vale a pena conhecer estão escondidos mesmo debaixo dos nossos olhos. Trepar um escadote de três pisos de altura demora quarenta e um segundos. Não é fácil imaginar o ano 3012, mas isso não significa que não devam tentar. Hoje, possuímos novas capacidades, estranhos poderes aos quais ainda nos estamos a habituar. As montanhas são uma mensagem de Aldrag, o pai-Wyrm. A vossa vida deve ser uma cidade aberta, com todo o tipo de caminhos para percorrerem.»

A livraria noite e dia do Senhor Penumbra
Robin Sloan

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Foi bonito
O meu sonho de amor.
Floriram em redor
Todos os campos em pousio.
Um sol de Abril brilhou em pleno estio,
Lavado e promissor.
Só que não houve frutos
Dessa primavera.
A vida disse que era
Tarde demais.
São ironias
Dos deuses desleais.

Frustração
Miguel Torga

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

TOP 5: Biografias

A Beautiful Mind (2001).
Baseado na vida de John Nash (matemático).

Creation (2009).
Baseado na vida de Charles Darwin (naturalista).

Jobs (2013).
Baseado na vida de Steve Jobs (empreendedor e inventor informático).

The Imitation Game (2014).
Baseado na vida de Alan Turing (matemático).

The Theory of everything (2014).
Baseado na vida de Stephen Hawking (físico e cosmólogo).

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Ler Distopias


Olá a todos, hoje venho-vos falar de distopias! Para quem não sabe, uma distopia é o oposto de utopia. é um pensamento filosófico que caracteriza uma sociedade imaginária controlada pelo Estado ou por outros meios extremos de opressão, criando condições de vida insuportáveis aos indivíduos. Normalmente tem como base a realidade da sociedade atual idealizada em condições extremas no futuro. Se bem se lembram, no final do ano passado publiquei um post com alguns dos livros que queria ler em 2015 e um deles era o 1984 de George Orwell. Eu continuo a pretender lê-lo, estou só à espera do Verão que é quando terei mais tempo para o fazer... E então o que eu queria vir aqui dizer era que cada vez mais estou interessada em começar a ler distopias. 1984 será a primeira mas logo a seguir espero ler Admirável mundo novo de Aldous Huxley, Utopia de Tomas More, Fahrenheit 451 de Ray Bradbury, A laranja mecânica de Anthony Burgess, etc... Obviamente que não as vou ler todas este ano! Este ano lerei 1984 e depois vamos vendo como vai correndo... E vocês? Já leram alguma distopia? Gostam deste tipo de leitura? Digam-me nos comentários se há mais alguma que eu deveria referir aqui. Até à próxima!

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Uma boa história nunca acaba #113


The Theory of Everything (2014). Biografia. Em 1963, enquanto estudante de cosmologia na conceituada Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Stephen Hawking consegue grandes avanços e está determinado a encontrar uma simples e eloquente explicação para o Universo. O seu mundo expande-se quando se apaixona por Jane Wilde, uma estudante de artes, também em Cambridge. Mas, aos 21 anos, este jovem saudável e ativo recebe um diagnóstico que vai abalar a sua vida: a degeneração dos neurónios motores vai atacar os seus membros e as suas capacidades, deixando-o com limitações de fala e movimento e terminando com a sua vida em dois anos. Baseado no livro escrito por Jane Hawking, chega-nos mais uma biografia de um dos grandes génios da actualidade. Com uma excelente performance por parte dos actores, nomeado para os óscares em várias categorias, escusado será dizer que é um filme obrigatório de se ver!


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Um desafio por mês #27


Fevereiro #15

Olha para o mar, amor! Não vês como ele nos chama? Não sentes os seus braços a envolverem-nos cuidadosamente? Diz-me, sinceramente, não os sentes? Talvez sejam só delírios da minha imaginação mas jurar-te-ia, aqui e agora, que ele nos quer como pertença sua. Ouve este rugido de lamento, o tempo urge para nós. Sentemo-nos abraçados na rebentação, fundamos os nossos corpos e amemo-nos. Amemo-nos loucamente como as ondas na rebentação aos nossos pés. Infinitamente. Plenamente. Amor.

Vem comigo! Afundemo-nos e mergulhemos, são corais de mil cores luzentes à nossa espera. Daria toda a minha vida para que sentisses, por um só momento neste mundo, a meu lado, o amor com que o mar nos envolve, com que eu te cuido. Far-me-ia mar para ti. E levar-te-ia nas rotas das marés a descobrires os ares de outros ventos. Vem comigo, gaivota! É ao mar que pertencemos. Nada é nosso nesta terra estrangeira, línguas estranhas, corações mecanizados. Vem comigo, gaivota. Vem comigo voar.

Alexandra Oliveira Villar