quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Página-a-página #101


«-Muito bem, parem - disse Keating aos quatro rapazes. - Ora bem, não sei se repararam que, ao principio, o Overstreet e o Pitts pareciam estar a andar de uma maneira diferente dos outros, Pitts com passadas largas, Knox saltitando levemente... mas não tardaram a acertar o passo com os outros até que todos estavam a andar com a mesma cadência. O que se tornou ainda mais visível quando começámos todos a bater palmas - notou o professor. - Esta experiência não foi pensada para chamar a atenção sobre Pitts ou Overstreet. O que ela demonstra é a dificuldade que todos nós temos em ouvir a nossa própria voz ou manter as próprias crenças na presença dos outros. E se qualquer um de vocês acha que não teria acertado o passo com os outros, então pensem porque é que estavam a bater palmas- Rapazes, existe em todos nós uma forte necessidade de aceitação, mas têm de acreditar naquilo que é único ou diferente em cada um de vocês, mesmo que seja algo estranho ou prejudicial à vossa popularidade. Como disse Frost, "Dois caminhos divergiam no bosque e eu - eu segui pelo menos percorrido, e isso fez toda a diferença."»

O clube dos poetas mortos
N. H. Kleinbaum

Isto é matemática #37


Monty Hall
«Sonhamos com o amanhã mas esse dia não chega;
Sonhamos com a glória que de facto não queremos.
Sonhamos com um novo dia quando já amanheceu.
Fugimos da batalha que sabemos ter de travar.
E ainda assim dormimos.

Esperamos o chamamento mas não estamos atentos,
Esperamos um futuro que não passa de planos.
Sonhando com o conhecimento que cada dia evitamos,
Rezamos por um salvador quando a redenção está nas nossas mãos.
E ainda assim dormimos.

E ainda assim dormimos.
E ainda assim rezamos.
E ainda assim tememos...
E ainda assim dormimos.»
Todd Anderson
O Clube dos poetas mortos

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Página-a-página #100


«-Não faz mal, Knox - continuou, virando-se para a turma - demonstra uma ideia importante. Seja em poesia, seja no que for, em tudo na vida há que preocupar-se com as coisas realmente importantes: o amor, a beleza, a verdade, a justiça. E não há necessidade de limitar a poesia à palavra. Pode haver poesia na música, numa fotografia, no modo como uma refeição é preparada... Tudo pode conter uma revelação. Pode existir nas coisas do dia-a-dia, mas não deve nunca ser vulgar. Escrevam à vontade acerca do céu ou do sorriso de uma rapariga, mas, quando o fizerem, deixem que a vossa poesia evoque a salvação, a perdição, qualquer coisa, não me interessa. O que importa é que ela nos ilumine, nos emocione e, se for inspirada, nos faça sentir um bocadinho imortais.
- Capitão! Meu capitão! - Chamou Charlie. - Há poesia na matemática?
A classe riu-se.
- Claro que sim, Dalton, há... elegância na matemática. Se toda a gente fosse poeta, o planeta morreria à fome! Mas a poesia tem de existir, e nós temos de reparar nela, reconhecê-la na mais ínfima, na mais insignificante das coisas, ou teremos perdido e deixado passar muito do que a vida tem para nos oferecer. »

O clube dos poetas mortos
N. H. Kleinbaum

Página-a-página #99


«-Sentem-se - disse Keating, quando chegaram ao meio do campo. - Os entusiastas estarão provavelmente em discussão sobre que desporto é melhor que o outro e porquê - disse, enquanto andava de um lado para o outro. - Para mim, o mais importante de qualquer desporto é a forma como os outros seres humanos nos podem levar a sermos melhores. Platão, um homem com muitos dotes, tal como eu, disse que 'Só a concorrência me faz poeta, sofista e orador'. (...)»

O clube dos poetas mortos
N. H. Kleinbaum

Isto é matemática #36


Quanto mede a costa portuguesa

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Página-a-página #98


«-Pois bem - continuou Keating -, a isso tudo eu respondo: balelas! As pessoas lêem poesia porque fazem parte da raça humana e a raça humana arde de paixão! Medicina, direito, a banca... Estas coisas são necessárias à vida. Mas poesia, romance, amor, beleza? São estas as coisas que nos mantêm vivos! Deixem-me citar-vos um poema de Whitman:

Pobre de mim! Ó vida! E os constantes problemas que se me deparam,
Os infinitos cortejos incrédulos, as cidades repletas de loucos...
Qual o valor de tudo isto, pobre de mim, ó vida?
Resposta
A tua presença - que a vida e a identidade existem,
Que o intenso espectáculo prossiga e que tu possas contribuir um com um verso.

Keating calou-se. A classe manteve-se em silêncio, digerindo a mensagem do poema. Keating olhou à sua volta uma vez mais e repetiu:
-'Que o intenso espectáculo prossiga e que possas contribuir com um verso.'
O professor permaneceu um longo momento em silêncio e depois, calmamente e com todos os olhos cravados em si, dirigiu-se ao quadro.
-Qual será o vosso verso? - perguntou.
Seguiu-se um longo momento de silêncio. Suavemente, Keating quebrou o feitiço:
-Vamos abrir os livros na página 60 e falar da noção de Romantismo de Wordsworth.»

O clube dos poetas mortos
N. H. Kleinbaum

«Somos os fazedores de música
E os sonhadores de sonhos,
Passeando pelos pontões solitários,
E descansando à beira de ribeiros desolados;
Perdedores que abandonaram o mundo,
Iluminados pela luz pálida do luar
E, contudo, neste mundo para sempre,
Tudo nas nossas mãos parece estar.
De maravilhosas e imortais canções
Construímos as nossas cidades,
E de uma fabulosa história
Criamos a glória de um império:
Um homem com um sonho
Investirá para conquistar uma coroa;
E três com uma melodia distinta
Podem esmagar um império.
Nós no tempo adormecidos,
No passado enterrado da terra,
Erguemos Ninive dos nossos suspiros,
E do nosso júbilo a própria Babel.
E com as nossas profecias de um valoroso mundo novo
O velho derrubámos;
Pois cada era é um sonho que morre,
Ou outro prestes a nascer.»
Arthur O'Shaughnessy

domingo, 26 de janeiro de 2014

Uma boa história nunca acaba #72


«Se os teus olhos pudessem falar, o que diriam?»

The Book Thief (2013). Drama. Guerra. Este filme conta a história de Liesel, uma menina alemã que deixou de viver com a sua mãe biológica, para viver com o casal Huberman. Não vou contar muito do enredo. Passa-se na Alemanha nazi, como já referi, e é uma adaptação do livro 'A rapariga que roubava livros' de Markus Zusak. Para quem leu o livro, que é o meu caso, penso que o filme ficou muito aquém. Não podia aliás ser de outra maneira, uma vez que o livro se desenrola por mais de 200 páginas que contém desenhos, poemas, interrupções feitas pela morte (narradora do livro), entre outras coisas. Apesar de tudo, não é um filme assim tão mau. É aliás um filme bom, só não digo muito bom por ter o livro como referência. Seria impossível incorporar todos os momentos vividos por Liesel em 90 minutos, até porque a imaginação trabalha por tempo indeterminado...