terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Página-a-página #176


«(...) E a mãe da Rosa foi-se, que é como se tivesse morrido. A morte, meu amigo, é uma curva na estrada, é o lugar mais distante, onde não há correios nem telefone. As pessoas, quando se afastam, ficam como a paisagem, como os arbustos, ou como uma vaca a pastar. A mãe da Rosa apartou-se da nossa visão, da visão e dos olhos de quem a amava. Não é isso morrer? A ausência e a morte dos familiares chegados. Ela foi para Lisboa crescer ou minguar, como faz a lua. Sobre este veredicto só Deus, ou o tempo, fará juízo. Repare o senhor que estar ausente tem, na prática, o mesmo efeito de estar enterrado e bem morto. Não para a própria pessoa, bem entendido, mas para os outros: é uma completa falta de nexo.Esperamos reencontrar essa pessoa, mas esse reencontro em que todos temos esperança é o mesmo sentimento que nós, cristãos, sentimos tendo fé na Ressurreição. Mas se esse reencontro não se der em vida, não é precisamente o mesmo, exactamente o mesmo, que uma ausência?»
Jesus Cristo bebia cerveja
Afonso Cruz

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

De comando na mão #5


Literatura Agora é isso mesmo, um programa de Literatura com apresentação de Pedro Lamares. A palavra escrita está portanto em primeiríssimo lugar. Cada episódio tem dois momentos de elogio à obra literária, com excertos de poesia e de prosa escolhidos e ditos por Pedro Lamares e Filipa Leal. A eles se juntam reportagens com a ambiciosa pretensão de abarcar o vasto universo da literatura: quem a escreve, quem a diz, quem a serve, quem a traduz e quem a guarda. A literatura na música, no cinema, no quotidiano e como inspiração para os mais variados criadores. Ao longo de cada emissão, tempo ainda para abordar alguns dos grandes temas da literatura, bem como a história e as estórias de livrarias, bibliotecas e outros tantos espaços com livros dentro. Estreou este mês na RTP2 e já está disponível online. Vou deixar aqui o link para os interessados. Para quem quer ver em primeira mão, dá às terças-feiras às 23h e tem a duração de aproximadamente 30minutos.

O ano miraculoso de Einstein

domingo, 18 de janeiro de 2015

Página-a-página #175

«(...) A vida das pessoas acaba assim e Matilde nem sequer tem consciência de que morreu uma das suas mortes. De cada vez que deixamos de ser percebidos, morremos. Quando somos enterrados deixamos de ser percebidos por toda a gente, mas quando os outros já não olham para nós, ficaram condenados para um número limitado de pessoas, a uma morte em tudo idêntica à outra. A nossa morte não acontece quando somos enterrados, acontece continuamente: os dentes caem, os joelhos solidificam, a pele engelha-se, os amigos partem. Tudo isso é a morte. O momento final é apenas isso, um momento.»
Jesus Cristo bebia cerveja
Afonso Cruz

sábado, 17 de janeiro de 2015

Histórias com história #7


Masters of Sex (2013 -). Série de televisão estadunidense baseada na biografia de Thomas Maier. A série segue a história de Dr. William Masters e Virgínia Johnson, dois pioneiros na sexualidade humana. É certo de que já muito se sabe sobre a maternidade, sobre a gravidez, sobre as relações entre casais, mas e o sexo? O que se sabe verdadeiramente sobre o sexo? É a esta questão que a Masters tenta dar resposta. Uma série de medicina um pouco diferente do normal. Curiosos?

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

TAG: Doenças Literárias

Diabetes: Um livro muito doce.
Um livro que me soube muito bem ao ler, talvez por ter sido uma leitura de Verão, lida ao sol, na praia, foi Uma Villa em Itália de Elizabeth Edmondson. Aconselho vivamente para leitura de Verão!

Varicela: Um livro que leste uma vez e juraste para nunca mais.
Inevitavelmente, para quem acompanha o blog, já sabe que a minha resposta irá ser A Metamorfose de Kafka... Simplesmente não me disse nada, não é para mim!

Sarampo: Um livro contagioso.
Um livro que contagia, a meu ver, é um livro que nos diz alguma coisa, que assim que o lemos só queremos dizer ao mundo inteiro para ler e portanto vou escolher A rapariga que roubava livros de Markus Zuzak. Se ainda não leram, aconselho vivamente a pensarem no assunto!!!

Insónia: Um livro que leste pela noite dentro.
Para esta categoria escolhi A Sombra do Vento de Carlos Ruiz Zafon porque me lembro de não conseguir parar de ler. O enredo estava de tal forma construído que me era difícil parar de o ler. Muito bom!

Amnésia: Um livro que leste e não te lembras.
Por acaso no outro dia pensei neste livro porque li recentemente O velho que lia romances de amor de Luis Sepúlveda e achei que o tema me era famíliar. Estou a falar de A cidade dos Deuses selvagens de Isabel Allende que eu li há uns bons anos e tenho uma ideia do que falava mas a história em si já não me lembro...

Asma: Um livro que te tirou o folgo.
Para esta categoria pensei num livro em que tivesse chegado ao fim e tivesse pensado: UAU! E então escolhi, como não podia deixar de ser A fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos.

E pronto, aqui está mais uma TAG. Eu sei que a maior parte dos livros que aqui referi já os tinha mencionado antes noutras tags mas está difícil encontrar uma TAG que tenha perguntas 'diferentes'. Prometo que vou tentar daqui para a frente seleccionar melhor as tags bem como os livros que escolho. Já sabem, quem quiser está à vontade para responder a esta tag e até à próxima!


quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Página-a-página #174

«-É no ácido desoxirribonucleico que devem procurar os vossos segredos.O homem é que é um Deus e no centro do seu universo tem um ácido impronunciável que, na verdade, é a abreviatura de uma das  palavras mais longas do mundo, o nosso próprio nome, um código feito com quatro blocos,  quatro letras, e que nos define enquanto persona, que nos caracteriza o Eu. O nosso Deus abscôndito não passa de um ácido.»


Jesus Cristo bebia cerveja
Afonso Cruz

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Uma boa história nunca acaba #110


Under the Tuscan Sun (2003). Comédia. Drama. Romance. Esta comédia romântica gira em torno da personagem Frances, uma escritora recém divorciada que compra uma casa na Toscana à espera de começar uma nova vida e ultrapassar o bloqueio criativo a que a conduziu o trauma do divórcio. Sem dúvida que é um bom filme para começar o ano, pois a temática, como já referi, são os novos começos e as oportunidades. Não deixem portanto de ver! O facto de ser em Itália, com paisagens de sonho também ajuda. Sem dúvida um filme que nos faz agradecer os pequenos prazeres da vida e que nos mostra que a família e o amor podem estar em qualquer lugar desde que saibamos abrir o nosso coração.

omentári

Mumford and Sons - I will wait


terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Página-a-página #173


«(...) Repara bem, a possibilidade de, a um nível elementar de criação da realidade, ocorrerem primeiro os efeitos e depois as causas tem consequências incrivelmente contra-intuitivas. O que isto significa é que a consciência hoje e no futuro tem aparentemente o poder de em parte gerar a realidade física do passado, e em particular o passado referente ao tempo em que não havia ainda seres conscientes no universo. Ou seja, enquanto o universo não gerou consciência, o Big Bang não passou de uma espécie de acontecimento virtual, quase como se fosse uma onda em que todas as potencialidades se acumulam em paralelo. Só tornou real uma dessas potencialidades, a história anterior do universo. De certo modo não é apenas o passado que gera o futuro, mas o futuro que também gera o passado. O acto de observar a realidade não só cria parcialmente a realidade de hoje mas também cria o passado que tornou possível a realidade de hoje. É como se futuro e passado se criassem mutuamente e ambos fossem indeterminados: tal como há vários futuros possíveis, existem vários passados possíveis."»
A Chave de Salomão
José Rodrigues dos Santos