quarta-feira, 22 de março de 2017

Uma boa história nunca acaba #170


What Remains (2005). Documentário. Tal como o título indica, o foco deste documentário está na famosa fotógrafa Sally Mann, responsável por algumas das melhores e mais icónicas imagens de sempre, entre elas as polémicas fotografias dos seus filhos de quando eles eram pequenos. Uma das facetas mais interessantes desta obra é observar o processo de algumas dessas fotografias, mas também ver posteriormente os filhos já crescidos e a relação entre toda a família. Há uma vertente humana neste documentário que nos desarma e que, ao mesmo tempo, nos fascina. Muito mais do que falar de fotografia, esta obra fala-nos de pessoas reais como nós, do amor que une Sally Mann ao marido e da reacção dela à notícia da doença rara que o aflige. Uma história de devoção e confiança que é um privilégio podermos observar assim tão de perto. Temos oportunidade de entrar no dia-a-dia desta família que reside numa quinta no sul dos Estados Unidos, perceber a sua relação com a natureza, com os animais, um diálogo constante entre a vida e a morte que inspira a artista de forma constante. Além disto, o documentário mostra-nos também alguns dos métodos que levaram à criação de muitas das suas fotografias, num processo maravilhoso que começa desde logo no uso de máquinas fotográficas antigas de grande formato, até à concretização da ideia com a revelação dos negativos. Para quem gosta de fotografia e ficou com água na boca acerca desta artista, sem dúvida que este blog aconselha!

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Uma boa história nunca acaba #169


Pára-me de repente o pensamento (2014). Documentário. "Pára-me de repente o pensamento/Como que de repente refreado/Na doida correria em que levado/Ia em busca da paz, do esquecimento..." Assim começa o poema publicado em 1915 na revista "Orpheu", da autoria de Ângelo de Lima. Em 1894, o poeta e pintor foi internado no Centro Hospitalar Conde de Ferreira no Porto, com o diagnóstico de "delírio de perseguição". Para reencontrar a personagem para a sua peça de teatro, o actor Miguel Borges decide passar três semanas com os actuais pacientes do hospital. Durante esse tempo, partilha com eles as conversas, as refeições, as terapias, o café e os cigarros. O documentarista Jorge Pelicano pega na câmara e segue os seus passos, filmando 250 horas desse convívio e aprendizagem. A montagem final resultou num tratado de uma hora e meia sobre a loucura e a lucidez. Dos poucos documentários portugueses que vi mas sem dúvida que este blog aconselha!

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Divulgando #42


Entre Imagens é um projeto de Pedro Macedo e Sérgio Mah e que consiste numa série documental sobre 13 criadores cujo trabalho privilegia a prática do fotógrafo. Fazendo justiça ao carácter amplo e diverso da cultura fotográfica, a série pretende abordar diferentes campos estéticos e sociais da imagem, desde a arte ao fotojornalismo, dos géneros do retrato às várias tendências da documentação da realidade quotidiana e do território. Em todos os episódios, procura-se refletir sobre o universo particular dos criadores (aqui entendidos como fotógrafos ou artistas visuais que trabalham predominantemente com o dispositivo fotográfico), com especial incidência em quatro vertentes fundamentais: percurso individual e influências criativas; metodologias e processos de trabalho; análise de imagens paradigmáticas; e atitudes e expectativas em relação ao panorama contemporâneo da imagem. Visa-se, deste modo, proporcionar um maior conhecimento e atenção sobre algumas das mais destacadas figuras da fotografia portuguesa atual. 

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Histórias com história #17


Tales by Light (2015-). Documentário. Os fotógrafos e amantes da fotografia agora têm um motivo a mais para se ligarem à Netflix. A série “Tales By Light” produzida pela Canon Austrália em colaboração com a National Geographic, foi lançada no serviço de streaming. A série conta com 6 episódios na sua primeira temporada e traz 5 grandes fotógrafos de todo mundo: Art Wolfe, Darren Jew, Richard I’Anson, Peter Eastway e Krystle Wright. Eles exploram ambientes remotos, captando imagens incríveis da natureza local e cultura dos povos visitados. Com o lema "Behind every powerful image is a powerful story", esta é sem dúvida uma mini-série a ver!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Página-a-página #170

«Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. 
(...)
Naquela noite, Mikhail contou-me que a vida concede a cada um de nós raros momentos de pura felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes, anos. Tudo depende do nosso destino. A recordação desses momentos acompanha-nos para sempre e transforma-se num país da memória a que procuramos regressar durante o resto da nossa vida sem o conseguir. Para mim, esses instates estarão sempre enterrados naquela primeira noite, passeando pela cidade...»
Marina
Carlos Ruiz Zafón

domingo, 1 de janeiro de 2017

Último desafio deste blog


E que comece este novo ano cheio de novos desafios. A partir deste momento fica a cargo dos leitores criarem os seus próprios desafios mês após mês, concluindo assim a etiqueta Desafios. Este blog deseja um excelente ano a todos os leitores! Desafiem-se!

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Uma boa história nunca acaba #168


Walt before Mickey (2015). Biografia. Drama. Ainda criança, Walt Disney tinha por hábito desenhar os animais da fazenda onde morava. Ao crescer, ele decidiu tentar a sorte como animador numa cidade grande. Decidido a ter uma empresa própria, que lhe permitisse trabalhar no que gostasse, ele enfrenta diversos obstáculos até ter a grande ideia de sua vida: um pequeno rato chamado Mickey Mouse. O filme mostra a questão do empreendedorismo do inicio ao fim e grandes lições de negócios. Para quem gosta de biografias, aqui fica a dica!

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Uma boa história nunca acaba #167


Maikäfer flieg (2016). Drama. Áustria, 1945. O mundo vive o rescaldo da Segunda Grande Guerra. Depois de ter perdido a casa nos bombardeamentos, Christine, de nove anos, sobrevive com a família numa mansão abandonada nos arredores de Viena. Quando, após a vitória dos Aliados, os soldados alemães se vêem obrigados a fugir, as populações aguardam o exército soviético. Mas a sua fama de desordeiros faz com que todos temam a sua chegada. Apenas Christine, determinada a não deixar que as coisas regressem à "normalidade" da guerra, os vê como mensageiros de melhores dias… Traduzido para Portugal como "A primavera de Christine", este é um dos tantos filmes internacionais (leia-se não americanos) que merece ser visto! Pessoalmente vi muitas semelhanças com o filme The book thief portanto para quem tenha gostado desse filme ou quem goste do género, este blog aconselha!

domingo, 4 de dezembro de 2016

Página-a-página #169

«Sempre que me lembro deste mito, pergunto-me: será que nunca nos será permitido ver o verdadeiro rosto do amor? E compreendo o que os gregos queriam dizer com isto: o amor é um acto de fé noutra pessoa e o seu rosto deve estar sempre coberto pelo mistério. Cada momento deve ser vivido  com sentimento e emoção, porque se o tratamos de o decifrar e perceber, a magia desaparece. Seguimos os seus caminhos tortuosos e luminosos, deixam-nos ir ao mais alto da terra ou ao mais fundo dos mares, mas confiamos na mão que nos conduz. Se não nos deixamos assustar, despertaremos sempre num palácio; se tememos os passos que serão exigidos pelo amor e queremos que nos revele tudo, o resultado é que não conseguiremos mais nada. »
A espia
Paulo Coelho