terça-feira, 8 de julho de 2014

Walt Whitman: Song of Myself

Página-a-página #141

«E há as memórias, estilhaçadas, espetadas contra as paredes, sentimentos que são mais difíceis de interpretar do que braços. Um braço esquerdo é um braço esquerdo, mas o sentimento é esquivo. Um sorriso de um filho encaixa em que articulação?, perguntará Deus a refazer o homem para a ressurreição. Há memórias que não cabem no corpo. O sorriso de um filho é uma peça de um puzzle que é maior do que o puzzle a que pertence. E Dresden eram peças, não só de cimento e ossos, mas de almas, uma confusão de matéria e de espírito, uma sopa muito pouco cartesiana.
-Dresden é um puzzle - disse Isaac Dresner - feito de infinitos estilhaços, peças incontáveis.»

A Boneca de Kokoschka
Afonso Cruz

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Página-a-página #140


«Numa loja de pássaros é onde se concentram mais gaiolas. Não há lugar nenhum no mundo construído com tantas restrições como numa loja de pássaros. São gaiolas por todo o lado. E algumas estão dentro dos pássaros e não por fora como as pessoas imaginam. Porque Bonifaz Vogel, muitas vezes, abrira as portas das gaiolas sem que os canários fugissem. Os pássaros ficavam encolhidos a um canto, tentando evitar olhar para aquela porta aberta, desviavam os olhos da liberdade, que é uma das portas mais assustadoras. Só se sentiam livres dentro de uma prisão. A gaiola estava dentro deles. A outra, a de metal ou madeira, era apenas uma metáfora. Bonifaz Vogel vivia no meio de metáforas.»
A Boneca de Kokoschka
Afonso Cruz


Hoje venho-vos falar de um livro que adquiri recentemente. Wreck this journal é um livro escrito por Keri Smith que, tal como o nome indica, foi construído para ser destruído. Segundo a autora, "To create is to destroy" e portanto o objectivo do livro é apelar ao nosso lado mais criativo e, seguindo as instruções indicadas na terceira página e "work against your better judgment". O livro não tem ainda tradução em português de Portugal. Tem apenas uma edição em brasileiro intitulada 'Destrua este diário'. Da mesma autora estão publicados, também pela Penguin, How to be an explorer of the world, This is not a book, Mess e Finish this book. Para quem quiser mais detalhes de como o livro é por dentro, basta pesquisar pelo nome do livro no google que tem lá bastantes imagens.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Uma boa história nunca acaba #89


«Coming close. Closer. Cause the more you think you see, the easier will be to deceive you. Because what is seeing? You're looking but what you really do is filter, interpreting, searching for meaning. My job? To take the most preciously gift you give me: your attention!»

Now you see me (2013). Crime. Mistério. Thriller. Traduzido para português como Mestres da ilusão, desta vez trago-vos mais um filme de magia. O FBI persegue uma equipa de ilusionistas que inclui assaltos a bancos nos seus espectáculos e oferece ao público o dinheiro roubado. Os Quatro Cavaleiros são um super grupo de ilusionistas que realiza dois sofisticados espetáculos. Primeiro, espantam a audiência ao roubar um banco noutro continente, depois expõem um criminoso e oferecem o dinheiro ao público. O sucesso do quarteto chama a atenção das autoridades. Passam então a ser perseguidos pelos agentes do FBI e da Interpol.Apesar de pessoalmente ter achado o final um cliché e bastante óbvio, não deixa de ser um excelente filme que nos envolve e seduz como se faz com as crianças. Aconselho!!


quarta-feira, 2 de julho de 2014

8 Poetas americanos


Olá a todos, aproveito este inicio de mês de calor, sol e alegria para inaugurar mais uma etiqueta, ou marcador, como preferirem, chamado 'Perspectivas' que, ao contrário de 'Retrospectivas' pretende dar a mostrar um bocadinho dos meus planos para o futuro, em vez das coisas que já realizei no blog. Assim, sendo, aproveito este primeiro post para vos mostrar os poetas americanos que pretendo ficar a conhecer melhor no futuro e, quem sabe, não faça um dia um post sobre eles. Passo-vos então a apresentar: A imagem maior, que já é familiar ao blog é, como diziam no filme Dead Poet Society, o tio Walt, isto é, Walt Whitman. Depois ao lado, a contar de cima estão Robert Frost, Ralph Waldo Emerson, que também já foi mencionado na categoria livros em 'Página-a-página' e Emily Dickinson. Segue-se à sua esquerda T. S. Eliot, Herman Melville, E. E. Cummings e finalmente Edgar Allan Poe. E pronto, aqui estão os 8 poetas americanos que quero conhecer melhor. Já leram alguma coisa de algum deles? Se sim, comentem a dizer o que é que acharam ou se conhecem outros poetas que eu não mencionei e que gostaram muito de ler.

Personalidades #13

Alfred Tennyson (1809-1892). Poeta inglês. A maior parte da sua poesia baseia-se em clássicos mitológicos. Em 1842 publicou dois volumes de poemas, o primeiro com poemas já publicados anteriormente e o segundo com inéditos que foram um sucesso imediato. Alguns destes poemas ficaram famosos tais como 'Ulysses', 'Locksley Hall' e 'Tithonus'. Contudo, foi em 1850 que Tennyson atingiu o pináculo da sua carreira, quando publicou a sua obra-prima 'In Memoriam A.H.H' dedicada a Hallam, um poeta amigo. Mais tarde, nesse mesmo ano foi nomeado Poeta laureado, sucedendo a William Wordsworth. No final da sua vida, Tennyson revelou que as suas crenças religiosas eram pouco convencionais, inclinando-se para o agnosticismo e panteísmo. Costumava elogiar Spinoza e Giordano Bruno. Tennyson continuou a escrever até morrer, com 83 anos.

Valter Hugo Mãe - "A máquina de fazer espanhóis"

terça-feira, 1 de julho de 2014

Um desafio por mês #20


Julho #8

Nos campos florescem amores que alimentarão gentes desta terra, do mar nascem promessas de uma vida mais além e para o céu sobem vontades de projectos em pleno. De pés descalços na areia renasço com este novo ar. Este é o tempo de renovar ares e partir para novos caminhos. Ficam em memórias tempos idos de desafios cumpridos, transcendências conseguidas e esforços desmedidos. Deixo no ar o aroma das vitórias que foram para seguir em novas aventuras. Foi bom, é passado e será história. Mas é das memórias que alimento o futuro.

                Por agora, são convívios em fins de dia, amigos partilhados com o dourado do sol e energia nos cumes da vontade. Tempos sem amarras para dar vida à felicidade. Por agora, é carregar a alma de novos lugares, ocupar a vida de momentos irrepetíveis e sermos incomensuravelmente felizes. Por agora, impera viver o presente que o futuro que vem será bom com certeza.

Alexandra Oliveira Villar